Guia para famílias
Como se comunicar com um paciente intubado ou com traqueostomia
A pessoa que você acompanha está acordada, ouve e entende você, mas não consegue falar. Isso acontece com frequência na UTI, a unidade de terapia intensiva, e com uma traqueostomia. Não conseguir dizer o que sente costuma causar angústia, para a pessoa e para a família. Este guia explica por que a voz se perde e quais formas de comunicação existem. Tudo se decide e se ajusta com a equipe de saúde.
Por que a pessoa não consegue falar
A voz se forma quando o ar sai dos pulmões e faz vibrar as pregas vocais (cordas vocais).
Quando uma pessoa está intubada, o tubo passa entre as pregas vocais. Por isso ela não consegue falar enquanto está com ele.
Com uma traqueostomia, o ar entra e sai por um tubo no pescoço, abaixo das pregas vocais. Assim o ar não passa por elas e não há voz. Muitos desses tubos têm um balão inflado, chamado cuff ou balonete. Enquanto ele está inflado, a pessoa não consegue falar.
Não ter voz não quer dizer não entender. Fale com ela normalmente.
O que a pessoa sente e por que a comunicação importa
Muitos pacientes contam que é muito difícil se fazer entender. Não conseguir falar pode causar frustração, ansiedade ou tristeza, e às vezes faz a pessoa se isolar.
Um estudo entrevistou pacientes internados que perderam a voz por uma traqueostomia ou uma laringectomia. Entre eles, 89 % disseram ter dificuldade para se comunicar. Muitos sentiam frustração (62 %) ou ansiedade (55 %). Depois, foi oferecido a eles um tablet com um aplicativo que transforma texto em voz. No grupo que o usou, 53 % disseram ter dificuldade.
Poder expressar dor, sede, medo ou uma pergunta ajuda a pessoa a se sentir ouvida e a receber o que precisa.
Formas de se comunicar agora
Nenhum método serve para tudo. As revisões de estudos sugerem que a maioria ajuda e que vale a pena combinar vários. A equipe de saúde e o(a) fonoaudiólogo(a) (em alguns países, terapeuta da fala ou logopedista) podem orientar qual usar.
- Um sinal de sim e nãoCombinem um sinal claro, como acenar com a cabeça ou levantar o polegar. Também serve piscar para sim e fechar os olhos para não. A equipe também deve conhecer esse sinal.
- Perguntas de sim ou nãoFaça perguntas curtas que possam ser respondidas com esse sinal: “Está com dor?”, “Está com frio?”. Depois confirme o que você entendeu.
- Leitura labial e gestosAlgumas pessoas movem os lábios para formar palavras, apontam ou fazem gestos. Observe com calma e repita o que você acha que ela disse.
- Pranchas de letras ou figurasA pessoa aponta letras para soletrar, ou figuras de necessidades como dor, sede ou banheiro. Elas melhoram a comunicação, embora soletrar leve tempo.
- EscreverSe ela consegue mexer as mãos, um caderno, uma pequena lousa ou o celular permitem escrever o que quer dizer.
- Tablets ou celulares que falamHá aplicativos que dizem em voz alta uma frase escrita ou tocada. Alguns podem ser usados com o toque, o olhar ou o piscar.
Dicas para a visita
- Chame a atenção da pessoaToque no ombro ou no braço e olhe nos olhos dela antes de falar.
- Óculos e aparelhos auditivosSe ela usa, confira se estão colocados. Ver e ouvir bem facilita tudo.
- Frases curtas e paciênciaFale com frases simples e faça pausas. Dê tempo para ela responder e não tenha pressa de adivinhar.
- Tenha à mão com o que se comunicarDeixe por perto um caderno, uma prancha ou um aparelho que a pessoa possa usar.
- Pergunte ao se despedirAntes de ir embora, pergunte: “Precisa de alguma coisa?”, “Tem alguma pergunta?”.
- Pergunte o que é permitidoPergunte à enfermagem quais objetos e aparelhos podem ser usados na unidade.
Conversar com a equipe sobre a voz
Algumas pessoas com traqueostomia podem voltar a falar ainda com o tubo. Às vezes a equipe desinfla aos poucos o cuff para que o ar volte a passar pelas pregas vocais. Outras vezes se coloca uma válvula de fala. É uma peça que deixa o ar entrar pelo tubo e o faz sair pela boca.
Não serve para todas as pessoas. Em geral se avalia se a pessoa está acordada, estável e consegue soltar o ar ao redor do tubo. Essa decisão é da equipe de saúde, que conhece o caso.
Como família, você pode perguntar se isso está sendo avaliado, o que é preciso e quando será revisto. Também pode contar quais formas de comunicação funcionam melhor para o seu familiar.
Onde o Tocavox ajuda
O Tocavox é um aplicativo gratuito para celular ou tablet, parte de um projeto social. Ele mostra botões grandes com frases; a pessoa toca em uma e o aparelho a diz em voz alta, com voz natural. Já vem com frases de saúde prontas, como dor, sede, frio ou ir ao banheiro.
É uma opção gratuita que a pessoa ou a família pode configurar por conta própria. Funciona com sinal fraco ou instável: as frases já salvas continuam tocando mesmo se a conexão cair. É um apoio a mais, junto com os outros métodos deste guia. Para usá-lo, a pessoa precisa estar acordada e conseguir tocar na tela. Na UTI, siga sempre as orientações da equipe sobre o uso de aparelhos.
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Perguntas frequentes
Uma pessoa com traqueostomia consegue falar?
No início, em geral não, porque o ar não passa pelas pregas vocais. Algumas pessoas conseguem voltar a falar quando a equipe desinfla o cuff ou coloca uma válvula de fala. Depende de cada caso e quem decide é a equipe de saúde.
Como se comunicar com um paciente intubado?
Combinem um sinal de sim e não, como acenar com a cabeça ou piscar, e façam perguntas curtas. Também ajudam os gestos, a leitura labial, as pranchas de letras ou figuras, a escrita e os tablets que falam.
Um paciente intubado ouve e entende?
Muitos pacientes na UTI estão acordados e alertas mesmo com o tubo. Fale com a pessoa normalmente e pergunte à equipe de saúde sobre o nível de consciência dela.
Por que meu familiar sente frustração ou angústia na UTI?
Muitos pacientes contam que é muito difícil se fazer entender. Não conseguir falar pode causar frustração e ansiedade. Ter uma forma de se comunicar costuma ajudar a pessoa a se sentir ouvida.
Posso levar um tablet ou um celular para a UTI?
Depende das regras de cada unidade. Pergunte antes à equipe de enfermagem quais aparelhos são permitidos.
Outros guias
Fontes
- ASHA · Tracheostomy and Ventilator Dependence
- NHS · Tracheostomy: recovery
- Cleveland Clinic · Tracheostomy
- Alberta Health Services · Communication Access: Person who is Ventilated
- Critical Care (2016) · Communicating with conscious and mechanically ventilated critically ill patients: a systematic review
- Nursing in Critical Care (2019) · Communication with patients in intensive care units: a scoping review
- Otolaryngology–Head and Neck Surgery (2022) · Effect of Augmentative Technology on Communication and Quality of Life After Tracheostomy or Total Laryngectomy
Este guia é informativo e não substitui as orientações da equipe de saúde. · Atualizado em 11 de outubro de 2026